Transpoamazônia 2026 debate gargalos logísticos para indústria da ZFM

Evento internacional em Manaus reúne especialistas de 43 países para projetar o futuro do transporte e mitigar os impactos das secas no faturamento da ZFM

A logística na Amazônia deixou de ser um desafio puramente operacional para se tornar uma questão de sobrevivência econômica. Com a proximidade da Transpoamazônia 2026 — 3ª Feira e Congresso Internacional de Transporte e Logística, que ocorre entre 27 e 29 de maio, o foco se volta para a vulnerabilidade do modelo Zona Franca de Manaus (ZFM) diante dos ciclos climáticos.

As recentes vazantes extremas dos rios Madeira, Amazonas e Negro impuseram custos extraordinários ao setor produtivo, exigindo soluções que integrem tecnologia e novas rotas de escoamento.

O evento, idealizado pela Federação das Empresas de Logística, Transporte e Agenciamento de Cargas da Amazônia (Fetramaz), projeta movimentar R$ 900 milhões em negócios.

No centro das discussões está a necessidade de reduzir a dependência da sazonalidade fluvial, que em períodos de seca severa encarece o frete e ameaça o abastecimento de insumos para o polo industrial de Manaus.

A participação de especialistas de dezenas de países reforça que o gargalo amazônico é hoje uma preocupação da cadeia de suprimentos global.


Integração modal e o desafio da seca

Um dos painéis mais aguardados abordará a multifuncionalidade e seus impactos na ZFM, reunindo lideranças do Cieam e de empresas de navegação como o Sindarma.

A discussão é objetiva: como manter a fluidez das mercadorias quando os principais rios atingem níveis críticos?

A cabotagem e as rotas bioceânicas surgem como alternativas estratégicas para diversificar o transporte, garantindo que o isolamento geográfico não se traduza em prejuízo financeiro para as indústrias instaladas na ZFM.

Além da infraestrutura física, a Transpoamazônia focará na digitalização do setor.

O avanço do e-commerce na região Norte, tema de debate com executivos de grupos como Bemol e TV Lar, exige uma eficiência logística que a geografia local muitas vezes nega.

A aplicação de novas tecnologias para segurança e rastreio de cargas busca compensar a complexidade das rotas fluviais e rodoviárias, tornando o transporte de passageiros e mercadorias mais previsível e seguro, mesmo em cenários climáticos adversos.


Reforma tributária e geopolítica do transporte

O encerramento do congresso trará uma análise técnica sobre a reforma tributária voltada para as categorias de transporte e indústria.

Em um momento em que a ZFM busca reafirmar suas vantagens comparativas, a simplificação dos tributos sobre a logística é vista como peça-chave para a manutenção da competitividade.

A geopolítica também estará em pauta, conectando o Amazonas às tendências internacionais de comércio, como a influência de novos portos e a segurança da navegação sob a guarda do 9º Distrito Naval.

O evento se consolida como o principal fórum para planejar a resiliência do Amazonas.

Ao unir o debate técnico de alto nível com a cultura regional, exemplificada pelo encerramento com os bois Garantido e Caprichoso, a Transpoamazônia 2026 reafirma que o futuro da economia local depende diretamente da capacidade do estado em superar suas barreiras naturais por meio de investimentos estratégicos em infraestrutura e inovação.

Mais informação e detalhes sobre a programação e expositores o leitor pode acessar o site oficial da feira: https://transpoamazonia.com.br/.

Foto: divulgação
Fonte: https://bncamazonas.com.br/municipios/transpoamazonia-2026-debate-gargalos-logisticos-para-industria-da-zfm/

 

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